A EXPERIÊNCIA DE DOENÇA DE PACIENTES PSIQUIÁTRICOS

Autores

  • Camila Muhl Universidade Federal do Paraná - UFPR

DOI:

https://doi.org/10.26823/2sa24v90

Resumo

O presente artigo busca desvelar a experiência de viver com um transtorno mental desde as proposições da psicopatologia e da sociologia fenomenológica. Contribuíram como participantes da pesquisa vinte usuários com diagnóstico de transtorno mental que estavam sendo atendido em um Centro de Atenção Psicossocial na região metropolitana de Curitiba/PR. Seguindo o método fenomenológico, os dados foram coletados com a técnica da autodescrição proposta por Jaspers e analisadas a partir dos seguintes núcleos de significados: delírio, audição de vozes, alterações nas vivências afetivas e padrões de sono, crise e tentativas de suicídio. A reflexão proposta caminha na direção da importância de compreender a experiência de adoecimento, tal seja, que a doença emerge sempre numa pessoa singular e no seu mundo da vida e isto atravessará a forma como a enfermidade será compreendida, significada e cuidada.

Biografia do Autor

  • Camila Muhl, Universidade Federal do Paraná - UFPR
    Psicóloga pela Universidade do Oeste de Santa Catarina - UNOESC. Mestra em Psicologia pela Universidade Federal do Paraná - UFPR. Doutoranda em Sociologia pela UFPR.

Referências

Alves, PC. (1993). A experiência da enfermidade: considerações teóricas. Cadernos De Saúde Pública, 9(3), 263–271. https://doi.org/10.1590/S0102-311X1993000300014

Alves, PC. (2006). A fenomenologia e as abordagens sistêmicas nos estudos sócio-antropológicos da doença: breve revisão crítica. Cadernos de Saúde Pública, [s.l.], v. 22, n. 8, p.1547-1554.

Alves, PC.; Rabelo, MC. (1999). Significação e Metáforas na Experiência da Enfermidade. In: Rabelo, Míriam Cristina M.; Alves, Paulo César B.; Souza, Iara Maria A.. Experiência de doença e narrativa. Rio de Janeiro: Fiocruz. p. 171-186.

Alves, PC.; Rabelo, MC.; Souza, IM. (1999). Introdução. In: Rabelo, Míriam Cristina M.; Alves, Paulo César B.; Souza, Iara Maria A.. Experiência de doença e narrativa. Rio de Janeiro: Fiocruz.

Augras, M. (1986). O Ser da Compreensão: Fenomenologia da Situação de Psicodiagnóstico. Petropólis: Vozes.

Bak, A. (2019). Notas sobre fenomenología de la enfermedad. A propósito del libro Phenomenology of Illness. Acta Mexicana de Fenomenología. Revista de Investigación Filosófica y Científica, (4), 29-56. https://actamexicanadefenomenologia.uaemex.mx/article/view/14577

Basaglia, F. (1979). A psiquiatria alternativa. São Paulo: Brasil Debates.

Binswanger, L. (2013). Sonho e Existência. Escritos Sobre Fenomenologia e Psicanálise. Rio de Janeiro: Via Verita.

Blankenburg, W. (2013). La perdida de la evidéncia natural: Una contribución a la psicopatologia de la esquizofrenia (Otto Dörr & Elvira Edwards, Trad). Santiago: Universidad Diego Portales. (Original publicado em 1971).

Czeresnia, D., Maciel, EMGS., Oviedo, RA. (2013). Os sentidos da saúde e da doença. Rio de Janeiro: Fiocruz.

Dalgalarrondo, P. (2000). Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais. Porto Alegre: Artmed.

Durkheim, E. (1973) O Suicídio. Lisboa/São Paulo: Editoral Presença/Martins Fontes. (Original publicado em 1897).

Foucault, M. (1994). O nascimento da clínica. São Paulo: Forense Universitária.

Fuchs, T. (2018). Para uma psiquiatria fenomenológica: Ensaios e conferências sobre as bases antropológicas da doença psíquica, memória corporal e si mesmo ecológico. Rio de Janeiro: Via Verita.

Fukuda, A. Fukuda, L. Holanda, AF, (2024). Dialética e senso comum: as contribuições de Wolfgang Blankenburg à psicopatologia fenomenológica. In A. F. Holanda & C. L. do Nascimento (Orgs.), Diálogos interdisciplinares em fenomenologia e pesquisa: leituras em fenomenologia e pesquisa. Cachoerinha: Fi.

Gaspari, I. (2021). A vida secreta das emoções. Belo Horizonte: Âyiné.

Jaspers, K. (1973). Psicopatologia geral. Rio de Janeiro: Atheneu (Original publicado em 1913).

Jaspers, K. (2005). A abordagem fenomenológica em psicopatologia. Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental, 8 (4), 769-787 (Original publicado em 1912).

Husserl, E. (1986). A Ideia da Fenomenologia: cinco lições, Lisboa: Edições 70. (Original publicado em 1907).

Langdon, EJ. (2001). A Doença como Experiência: O Papel da Narrativa na Construção Sociocultural da Doença. Etnográfica: Revista do Centro de Estudos de Antropologia Social. V(2):241-260.

Lobosque, AM. (2015). Preparação para o cuidado/manejo das pessoas em situações de crise e urgência em saúde mental. In M. T. Zeferino, J. Rodrigues, & J. T. de Assis (Orgs.), Crise e urgência em saúde mental: o cuidado às pessoas em situações de crise e urgência na perspectiva da atenção psicossocial (pp. 10–48). UFSC.

Minkowski. E. (2016). 2016. O delírio. Psicopatologia Fenomenológica Contemporânea, v.5, n.1, p.72‑85.

Muhl, C. (2019). Veredas da loucura: Experiência de doença e itinerário terapêutico [Tese de doutorado, Universidade Federal do Paraná]. Repositório Digital UFPR. https://acervodigital. ufpr.br/handle/1884/64613

Paim, I. (1993). Curso de Psicopatologia. São Paulo: Grijalbo.

Peters, G. (2017). A ordem social como problema psíquico: do existencialismo sociológico à epistemologia insana. São Paulo: Annablume.

Puchivailo, M.; Costa, II.; Holanda, AF. (2019). Contribuições da fenomenologia para a atenção às primeiras crises do tipo psicóticas: Experiência em um CAPS III de Curitiba. In: Joelma Ana Gutiérrez Espíndula. (Org.). Psicologia fenomenológica e saúde: teoria e pesquisa (p. 85-98). Boa Vista: Editora UFRR.

Puchivailo, MC, Silva, GB.; Holanda, AF. (2013). A reforma na saúde mental no brasil e suas vinculações com o pensamento fenomenológico. Revista da Abordagem Gestáltica, 19(2), 230-239.

Rabelo, MCM., Alves, PCB., & Souza, IMA. (1999). Experiência de doença e narrativa. Rio de Janeiro: Fiocruz.

Ricoeur, P. (1994) ‘La souffrance n’est pas la douleur’, Autrement, 142 (Souffrances, Corps et âme, épreuves partagées): 58–69.

Santos, LMD., Oliveira, HO, Ferrarini, EH, Muhl, C. (2025). O campo de batalha das emoções: processos de normatização e regulação. Caderno PAIC. 26(1).

Schutz, A. (2012). Sobre fenomenologia e relações sociais. Petropolis: Vozes.

Spivak, G. (2010). Pode o subalterno falar? Belo Horizonte: Editora UFMG.

Van Den Berg, J. (1973). O paciente psiquiátrico: Esboço da psicopatologia fenomenológica. São Paulo: Mestre Jou.

Zahavi, D. (2015). A fenomenologia de Husserl. Tradução de Marco Antonio Casanova. 1ª ed. Rio de Janeiro: Via Verita.

Downloads

Publicado

2026-06-09

Como Citar

A EXPERIÊNCIA DE DOENÇA DE PACIENTES PSIQUIÁTRICOS. (2026). Revista NUFEN: Phenomenology and Interdisciplinarity, 18(01), 1-21. https://doi.org/10.26823/2sa24v90